Estado pouparia milhões de euros se utilizasse Software Livre

Estado pouparia milhões de euros se utilizasse Software Livre

Estado pouparia milhões de euros se utilizasse Software Livre. Conclui investigação desenvolvida pela Universidade de Coimbra Software pago ou livre? Qual será o melhor? Este é um debate que faz correr muita tinta e há fortes argumentos para ambos os lados, contudo, a nível de gastos monetários, o software livre leva a melhor. Segundo uma recente investigação da Universidade de Coimbra, o Estado Português já gastou mais de 100 milhões de euros em software… quando o podia ter a custo zero através do software livre.

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Recentemente foi noticiado que uma empresa publica – Águas de Portugal – havia gasto mais de 1 milhão em computadores e outros equipamentos. Mas esta é uma notícia recorrente, e existem diversas instituições públicas a renovar os seus equipamentos e a gastarem milhões em dinheiros públicos para esse mesmo fim. Uma recente investigação, intitulada “Jangada de SIG na Administração Pública Portuguesa” e levada a cabo por uma equipa da Universidade de Coimbra, conclui que, em apenas 5 anos (2008-2013), o estado português gastou mais de 24 milhões de euros (24 752 909,08€) na compra de software para os SIG (Sistemas de Informação Geográfica) e pelos menos 113 milhões foram gastos em software para a administração pública. A investigação, incluída no Mestrado de Tecnologias de Informação Geográfica da UC, demonstra que essa aquisição poderia ter tido um custo zero se o Estado tivesse optado por “soluções alternativas de software livre”.   José Gomes dos Santos, coordenador da investigação e docente no Departamento de Geografia da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, demonstra que estes resultados são devidos à “inventariação e análise efectuadas aos dados contratuais disponíveis em plataformas públicas online de acesso livre, como a base.gov, relativos a instituições ligadas ao ensino superior e a instituições cuja moldura estatutária as enquadra na estrutura administrativa pública do Estado”. Os dados analisados contêm 6 contratos entre o Estado e empresas que fornecem software, 5 delas para produtos SIG e uma outra para produtividade/escritório. Gomes dos Santos adianta que o software livre tem tido cada vez mais importância desde a última década, tendo-se tornado “numa oferta plural de aplicações interoperáveis de elevada qualidade e que pode permitir gerir melhor o dinheiro de todos nós”.

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O gabinete do secretário de Estado para a Modernização Administrativa não teceu quaisquer comentários acerca desta investigação, mas afirma que “embora ainda haja um percurso a percorrer no que toca à adopção de software livre pela Administração Pública, muito do caminho já está percorrido”, indicando que o Plano Global Estratégico para as Tecnologias de Informação e Comunicação (PGETIC) na Administração Pública já tem previsto a adopção de software aberto nos sistemas de informação do Estado, tendo já sido feitas poupanças no valor de milhões de euros. O gabinete recorda também que os OE 2013/14 tornaram “obrigatória a adopção de software aberto pela Administração Central, excepto quando, através do estudo do custo total de posse a 4 anos, seja demonstrado o aumento dos encargos públicos com tal opção”. Segundo o Governo, já têm já sido feitos testes-piloto com software livre, por exemplo na Inspecção Geral das Actividades Culturais, o que diminuiu em mais de 50% os gastos, uma poupança na ordem dos 169 mil euros. No caso em concreto da aplicação de software livre nas PGETIC, o Governo conclui que, até Junho, já houve uma poupança nas TIC em cerca de 3.1 milhões de euros, comparativamente ao ano de 2011.

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Gomes dos Santos também adianta que “a Universidade de Coimbra foi, aliás, pioneira em Portugal no que respeita à introdução de Software Livre em algumas unidades curriculares, por exemplo, da Licenciatura em Geografia e do Mestrado em TIG, contribuindo, assim, para uma mudança de paradigma. Um bom exemplo a seguir é o do Brasil, onde a utilização de Software Livre/de Código Aberto é, praticamente, obrigatória nos organismos públicos – incluindo os de ensino superior” Os resultados desta investigação serão apresentados durante as Primeiras Jornadas Lusófonas de Ciências e Tecnologias de Informação Geográfica, a decorrer entre os próximos dias 11 e 13 de setembro, na Universidade de Coimbra. Um dos temas de discussão deste evento são as vantagens/desvantagens da utilização de Software Livre, onde mais de uma centena de participantes da CPLP vão partilhar experiências.

Qual a vossa opinião quanto a este assunto? Deveria o Estado Português adoptar Software Livre?

 

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